Papas de S. Sebastião em Gondiães - Cabeceiras de Basto

É mais uma festa cíclica do solstício de Inverno, em que o deus Sol inicia a sua caminhada purificadora e as gentes se entregam a um ritual propiciador de um bom ano com boas colheitas. O calendário das celebrações antigas, clássicas e medievas está recheado e antes do cristianismo se impor como religião maioritária tudo ou quase tudo girava em torno da «caminhada» anual do Sol.
Assim, o S. Sebastião, com as suas farinhentas e untadas papas milagrosas, surge passado um trintário sobre o solstício de Inverno. Curioso é verificar que na Missa, em honra e louvor de S. Sebastião, a leitura epistolar foi a do martírio de Santo Estêvão, como já tinha acontecido a 26 de Dezembro, em Ousilhão - Vinhais.
Mas, vamos à Festa de S. Sebastião, de 20 de Janeiro, em Gondiães - Cabeceiras de Basto. Calha ali nos anos pares e nos anos pernão em Samão, localidade da mesma freguesia. Em 2013, se Deus quiser, lá estarei.
A gente não tem pressa de chegar, fora três ou quatro barracas doceiras (comprei lá umas lérias deliciosas), e pelas dez horas aparecem os mais impacientes que rondam o forno comunitário, para «abezarem uma maurguinha de morangueiro do bô». Gente rotinada no comes e bebes de graça. Pelas 10H30 os altifalantes anunciam que a Santa Missa é no palco. Continua a rua principal a encher e às 11H00 o S. Sebastião já está no andor florido, ao lado do altar. Na Missa a gente parece bastante devota, não sabendo dizer se das papas e morangueiro tinto, se dos pedidos ao santo mártir, como o garboso abade historiou no bonito sermão. Pelo meio, os que vão chegando, cumprimentam os amigos.
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